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NEM TODOS QUE SE DIZEM BISTRÔ
O SÃO DE FATO, MUITO MENOS DE DIREITO
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Lendo o "Guia" de "O Estado de São Paulo" publicado na semana de 18 a 24 de março deste ano, fiquei bastante contente e muito bem impressionada em ver que também na opinião do autor/jornalista, denominado Jacques Le Gourmet, já não se tem critério quanto a caracterizar um restaurante como "bistrô".
Ele questiona em seu pequeno artigo o fato de "todo mundo agora" se achar bistrô. Traça um interessante histórico da palavra que, em russo, quer dizer rápido e apareceu pela necessidade dos soldados russos, em solo parisiense, pedirem uma refeição rápida, isto nos idos de 1815.
Por toda a França, os bistrôs são estabelecimentos simples e aconchegantes, com os próprios donos atendendo e cozinhando. Há pratos já tradicionais e que esperamos encontrar ao entrar em um estabelecimento sob o título de "bistrô". Tais como: boef bourguignon, steak au poivre vert, coq au vin, omelete e outros.
Talvez por motivos "marketeiros" e nunca de marketing, há estabelecimentos demais com esse nome em São Paulo, mas que lembram de menos um bistrô tradicional francês. A palavra leva um certo charme e sempre se conta com a possibilidade de o cliente não saber como um bistrô, na França, realmente se caracteriza.
Está certo Jacques quando diz que traz indignação usar um nome indevidamente, só para logo se descobrir que o título foi só um chamariz.
Não é sério um restaurante que precisa desse subterfúgio para ganhar clientes.
Minha maior satisfação é fazer na cozinha do Ça-Va pratos realmente característicos, manter uma atmosfera típica e preços acessíveis. Quando um cliente entra, come, diz ou escreve: "Me senti em Paris".
Não há maior prazer que este, ser fiel ao bom nome da cozinha de bistrô e sermos reconhecidos por isso.
O melhor de tudo: nem temos bistrô no nome, não precisamos, nós o temos no coração e em nossas memórias.
Renira
Appa Cirelli
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